Thursday, August 31, 2006

DIVIDIR RESPONSABILIDADES

Quando é que vamos aprender a não passar para os outros a responsabilidade pelos nossos insucessos?
É comum, aliás aqui no Brasil, os candidatos em época de eleição culparem seus adversários (candidatos) por tudo aquilo que de ruim aconteceu na vida dos eleitores, pois é isso que lhes interessa, minar a compreensão dos concidadãos. Está em voga no momento acusar o presidente de corrupção por exemplo, como se ele fosse o culpado por tudo. Pode até ter culpa mas e os 30% dos fiscais do Ibama presos no RJ por exemplo são citados como culpa do governo? Assim também se culpa, governadores. Os prefeitos nem tanto porquê não é a vez deles. O que me preocupa é que poderemos cometer grandes injustiças e isso contra nós mesmos. Quem sabe nesta campanha, com menos poluição sonora e visual, possamos conversar mais. Amadurecer mais. Investigar mais. Com tantas facilidades que temos de acesso a informações, como por exemplo a Internet, onde sites como o TSE, TREs e http://perfil.transparencia.org.br entre outros nos interessem para ver quem são nossos pretendentes ao emprego, digo cargo em disputa.
No último domingo, ouvi de um amigo que o Congresso Nacional deveria fechar pois lá temos muitos ladrões. Isso me deixou estarrecido pois saiu da boca de pessoa alfabetizada, que lê diariamente, e que tem portanto um certo grau de discernimento ou deveria ter.
Vamos descer agora lá, ou cá, para a nossa associação de bairro, nossa escola, nossa cidade. Quem são os membros que dirigem estas entidades? Qual seu nome, onde moram, o que fazem no restante do seu dia, quais suas pretensões? Precisamos participar cada vez mais do processo político. Não falo o político partidário, mas esta política do dia-a-dia. Participar sim da concessão do canal de rádio comunitária, do conselho do jornal do bairro. A Rede Globo por exemplo não está nem aí se dissermos diariamente que eles só mostram o que lhes interessa. Mas e nós mostramos aquilo que nos interessa ou repetimos como papagaios aquilo que vem deles?
Vamos sentar à volta do fogo de chão e numa charla bem gaúcha e um bom chimarrão discutirmos nosso futuro. Que tal?

Tuesday, August 29, 2006

DEPENDÊNCIA


Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Tabagismo. Nestes dias quando um adolescente, fumante experimental, procura “fogo” entre seus pares já encontra alguma dificuldade. Nos anos 70 e 80 não era assim. Os garotos para se afirmarem começavam a insistir no cigarro aos seus 13 ou 14 anos, mais ou menos na puperdade, para terem argumento de aproximação das suas colegas de escola e de turmas, mostrando sua rebeldia contra a vontade de seus aconselhadores mais velhos. Nos anos 90 isso mudou mais para o sexo oposto. Agora os meninos já não precisavam mais desta muleta para iniciação sexual e encorajamento para outras aventuras já aceitas para os meninos da época. Neste período cresceu o número de garotas fumantes. Passou para elas a necessidade de auto-firmação e de rebelarem-se. Hoje assusta-nos o número de jovens entregues às drogas ditas pesadas. Será que poderemos ver uma geração que consciente desde cedo, vai renegar esta dependência que começa emocionalmente e depois passa a ser química?
Todo o dependente necessita de muita ajuda para lutar contra seu vício. Eu fumei durante dez anos, mais de duas carteiras por dia, portanto mais de 40 cigarros. No dia 3 de dezembro de 1996, quando freqüentava o curso de Sargento da Brigada Militar, tomei a decisão de não fumar mais. Foi motivo de fortes risadas entre os colegas. Era domingo depois do almoço e todos percebiam a minha saudade da família da qual teria que ficar mais uma interminável semana, separado. Foi a senha para o meu desafio. Da li para cá enfrento conscientemente a briga contra a maldição da dependência. Confesso que nunca me senti totalmente desligado do vício. Já tive duas recaídas fortes. Mas continuarei sempre usando armas como a prática de esportes, freqüentando locais mais saudáveis e estimulando que mais pessoas se unam ao nosso grupo de ex-fumantes, mesmo que nos chamem de chatos. Não tem problema, pela saúde vale tudo.

Friday, August 25, 2006

FALTA DE DINHEIRO OU DE CULTURA?

Hoje é a data nacional da República Oriental do Uruguai. No Parque Farroupilha (Redenção) em Porto Alegre, entre outros, temos um monumento chamado O Gaúcho Oriental que foi doado pela Comunidade Uruguaiana de Porto Alegre no ano de 1935. Ocorre que este é mais um dos monumentos depredados em nossa capital, e que, não é muito diferente de outras grandes cidades. As diferenças de tempos mais remotos onde gaúchos brasileiros peleavam com gáuchos uruguayos pela demarcação da fronteira, foram diminuídas por gestos como este do povo uruguaio contemporâneo.
Será que as pessoas que retiram pedaços desta estátua para trocar por droga ou até matar a fome por algumas horas,têm idéia do prejuízo cultural que estão causando? Acho que não. O pior é que não estamos fazendo nada de efetivo para mudar esta situação. É um grande recado a todos nós. De nada adiantará punir os vândalos se eles não tiverem um mínimo de condição de vida. Mais uma vez se reflete aì a diferença entre educação e alfabetização. Enquanto cresce o índice daquela parece que diminui o desta. Educação, segurança e Saúde, não necessariamente nesta ordem, quem já não ouviu por muitas vezes? Será que quem profere esta frase até o dia 03 de outubro sabe o que isto significa? Pobre Brasil. Pobre povo!
Um abraço!
Roberto S. Kellermann – Viamão RS/Brasil

Thursday, August 24, 2006

GAIOLA ABERTA...

Deixaram a gaiola aberta e o Papagaio fugiu. Sim Papagaio com letra maiúscula, pois se trata de gente. Parece piada. É até um tanto cômica para não dizer trágica a fuga do presidiário mais perigoso atualmente no Rio Grande do Sul. Quando Papagaio fugiu da PASC (Presídio de Alta Segurança de Charqueadas), desencadeou-se uma dupla operação, primeiro de se descobrir quem facilitou sua fuga, pois seria a única maneira de acontecer a única fuga até hoje acontecida de lá e depois a prisão de Papagaio em Santa Catarina. Foram sete meses de trabalho envolvendo delegados e agentes policiais pagos com dinheiro de contribuintes, é sempre bom lembrar, para em tão pouco tempo ser desconsiderado, jogado pela janela. O Ministério Público fez de tudo para manter o criminoso no regime fechado. Após 1/6 (um sexto) de cumprimento da pena foi colocado em regime semi-aberto ou seja colocar um papagaio em gaiola de taquinhos de madeira é pedir que ele fuja. Se a polícia prende, o MP consegue a condenação, ele está preso, onde está o problema? A justiça diz que é obrigada a cumprir a lei e atende a solicitação da advogada de Papagaio para que este seja transferido ao semi-aberto. Então perguntemos aos nossos legisladores eleitos e que até candidatos são à reeleição, porquê não se muda a legislação? O que não suportamos mais é o fato de as pessoas de bem, que vão diminuindo, estarem à mercê deste prejuízo multiplicado.
Me surpreende a advogada de Papagaio, quando entrevistada nesta manhã por uma emissora de rádio, dizer que esteve com o criminoso antes da fuga e que este lhe teria dito ao tomar conhecimento que poderia voltar ao regime fechado o seguinte: - “Eu queria realmente ficar mas se assim que eles querem...” dando a entender que ela sabia do plano de fuga de seu cliente. Será que esta profissional será indiciada no processo que obviamente será aberto para o caso?
O diretor da SUSEPE (Superintendência dos Serviços Penitenciários), não quis se pronunciar sobre a fuga e eu entendo perfeitamente suas razões. É uma piada...

Roberto S. Kellermann - Viamão RS/Brasil.

Monday, August 21, 2006

O Tamanho da Nossa Responsabilidade

No momento em que um grande número de parlamentares envolvidos em mais um dos inúmeros escândalos, desta feita o das sanguesugas, está com as horas contadas em termos de renúncia do mandato para não inviabilizar as suas candidaturas, somos mais uma vez chamados à responsabilidade.
Termina hoje às 23:59min59S o prazo para que os envolvidos no escândalo renunciem aos seus cargos e assim, independente do resultado da CPI, preservem suas candidaturas no próximo pleito eleitoral. Cabe exatamente a nós, digo nós, como sociedade, incluindo a imprensa que, espero, divulgue toda a verdade que chegar ao seu conhecimento, a responsabilidade de reprovar estes sanguesugas do nosso direito à saúde à segurança à educação, etc. Mas é preciso estarmos muito atentos, acompanhar tudo de perto para que não façamos injustiça e colocarmos lá novos pilantras e depois mais tarde descobrirmos que contra aqueles suspeitos não se comprovou nada. O fato de o país atravessar uma época transparente tem esta conotação, a de nos ter a responsabilidade aumentada a cada dia.
Cada um destes dias restantes até a eleição é de fundamental importância para o futuro próximo e para vislumbrar um país como uma verdadeira Nação para nossos descendentes pois dizia o sábio: - “Cada povo tem o governo que merece”.

Roberto Kellermann – Viamão, RS – Brasil.

Friday, August 18, 2006

Faltam alunos ou faltam vagas?

Todos os anos quando chega o período de início das aulas nas escolas públicas estaduais aqui no Rio Grande, os pais são tomados pela mesma preocupação há muitos anos. Será que teremos a vaga do filho garantida? Será que todas as turmas terão seus professores presentes na sala de aula e na hora prevista? Pois no interior do estado, nas zonas rurais, escolas estão sendo desativadas, fechadas, por falta de alunos. Os números são preocupantes. São 295 escolas ameaçadas de fechamento pela Secretaria Estadual da Educação (SEC). Destas 46 já paralisaram e têm seus alunos transferidos para outras escolas, onde precisam de readaptação pois muda todo o cenário desde o deslocamento muitas vezes maior até o convívio com novos colegas, professores, etc. Ou será que aluno de escola pública não tem estes direitos? Em Vera Cruz por exemplo a Secretaria Municipal de educação informou que não houve debate nem conhecimento dos pais sobre desativação de escola.
Minha sugestão é que aproveitemos a época dos milagres eleitorais e cobremos dos nossos representantes o remanejo dos recursos materiais e humanos para atender a demanda das cidades grandes e sua periferia onde está concentrada a maior demanda em educação pública e gratuita gerada pelo êxodo rural hora esquecido pela falta de políticas eficazes para manter o homem do campo no seu pago.

Roberto S. Kellermann – Viamão 18/08/2006.

Wednesday, August 16, 2006

Estou aderindo a esta ferramenta moderna de comunicação. Depois de resistir, o que é uma das minhas características reconheço, me dobro à necessidade de participar mais efetivamente do mundo de forma mais explícita. Na História ficam os registros daqueles que fizeram acontecer e tornaram públicas as suas idéias. Claro que externar uma idéia no hora errada às vezes pode trazer algum prejuíso pessoal em termos de recompensa por uma invenção por exemplo mas traz sempre uma contribuição para a humanidade.
Quando passamos pelos 40 anos mais ou menos, nos damos conta de muitas coisas que sempre estavam ali mas na correria que a menor idade propiciava não percebíamos. Agora percebemos que tudo aquilo que é bom para a humanidade e sociedade enfim de forma geral é também bom para nós, mais cedo ou mais tarde. Falo de nossos filhos e netos. Para eles fica o grande início de suas vidas dado por nós e o que a sociedade que nós ajudamos a construir pode lhes proporcionar.
A onda de violência que assola o Brasil é por demais peocupante, podendo se tornar uma máfia poderosa sem precedentes. Toda a sociedade precisa se engajar na busca de soluções. Falo em soluções pois acredito que somente um conjunto de atitudes severas e despojadas de interesses excusos, podem ter resultados expressivos neste momento. O momento político no Brasil é extremamente frágil. É talvez este exatamente o momento que a sociedade precisava para exercer a democracia, não votando mas discutindo amplamente os seus problemas, nas associações de bairro, nas rádios comunitárias, nos encontros das esquinas e nas rodas de chimarrão (comuns no Rio Grande do Sul/Brasil).

Roberto Kellermann 16/08/2006